12 de fevereiro de 2016

Você sabe quanto vai ganhar um vereador em Curitiba?


Por Evandro J. Castagna, trabalhador do Hospital de Clínicas e militante do PSTU em Curitiba

Vencimentos passarão de R$ 13,5 mil para R$ 14,2 mil e o presidente da Casa deve passar de R$ 17,55 mil para R$ 18.494. 

Isso significa que os vereadores ganharão em um único mês o que os trabalhadores - que recebem um salário mínimo - levam mais de 16 meses para ganhar (01 ano e 04 meses). Se comparado com o salário do Presidente da Câmara, seria 21 meses (1 ano e 9 meses). Sem contar “as verba de R$ 55 mil para contratar até 07 funcionários e um carro com 200 litros de combustível, todo mês, à disposição. Isso sem colocar nas despesas gastos com luz, água, telefone fixo e outras despesas de escritório” (Notícias Terra Brasil – 20/05/2015).

Mas não são somente os vereadores que recebem altos salários. O prefeito Gustavo Fruet (PDT) recebe R$ 26.723,13, o governador Beto Richa (PSDB) R$ 33.763,00 e a presidenta Dilma (PT) R$ 30.934,70. Basta dividir estes saláros por R$ 880,00 (valor do salário mínimo) e teremos a quantidade de meses que levaria um trabalhador pra ganhar o que estes privilegiados ganham em apenas um mês. Sem contar no dinheiro gasto pra sustentar ex-presidentes e outros coronéis dos diversos estados do país que estão no senado federal.

Quem são os privilegiados? As famílias que recebem o Bolsa Família?
Vamos comparar o salário da presidenta e a remuneração dos banqueiros com o valor do Bolsa Família.

O Benefício básico em 2015 - pago as pessoas mais pobres, em que a renda familiar não passe de R$77,00 por pessoa ao mês, independentemente do número ou da idade dos membros da família - é de R$77,00 ao mês; o Auxílio variável é pago por cada membro da família com idade entre 0 a 15 anos. Esse benefício é de R$35,00 por criança, sendo possível cadastrar no máximo 5 crianças no auxílio variável; o Auxílio variável jovem é pago a jovens com idade entre 16 e 17 anos, sendo possível cadastrar até 2 jovens no grupo familiar. É possível que a família beneficiada acumule os benefícios básico, variável e variável jovem; o quarto benefício é o de superação da extrema pobreza, pago a famílias em que a renda familiar não ultrapasse os R$77,00 por pessoa ao mês. O cálculo desse benefício varia de acordo com a renda e a situação familiar. É possível acumular os quatro benefícios.

Considerando, hipoteticamente, que uma família acumule todos os benefícios - e que o benefício de superação da pobreza seja próximo de R$ 100,00 - teríamos um valor de aprox. R$422,00/mês para uma família com pai, mãe, 5 crianças e 2 adolescentes (9 pessoas). Ao fazermos as contas podemos comprovar que esta família em extrema pobreza levaria mais de 73 meses – ou 6 anos e 1 mês – para ganhar o que a presidenta, sozinha, ganha em um único mês. Lembrando, que o valor médio recebido por família do benefício, é de R$167,95 (dados oficiais).

Se compararmos com os banqueiros e grandes empresários,  que ganham dinheiro especulando com a dívida pública do Brasil ficaremos impressionados. Enquanto o  impacto financeiro do Bolsa Família aos cofres públicos em 2015 foi de 27 bilhões o governo federal gastou em 2014 nada mais nada mesmo que 978 bilhões com juros e amortizações para remunerar a agiotagem internacional – 36 vezes mais.

Por que tanto privilégio?

Infelizmente a participação na política virou sinônimo de enriquecimento e fonte de privilégios. A grande maioria dos vereadores, prefeitos, deputados e senadores veêm na política a possibilidade de acensão social, seja através da corrupção deslavada, seja através de salários e benefícios exorbitantes.

A burguesia garante boa vida aos parlamentares, prefeitos, governadores e presidentes para que eles continuem governando para atender os seus interesses, garantindo o acesso aos cofres públicos através de suas empresas (indústria, grande comércio, montadoras, mineradoras e empreiteiras) e a rentabilidade dos bancos através de juros absurdos e a manutenção do pagamento da escandalosa dívida pública, seja nos municipios, estados ou federação.

O que fazer?

Desde que assumiu o mandato em 2013, nossa vereadora Amanda Gurgel (PSTU) nunca recebeu a remuneração integral de vereadora. A parlamentar socialista continua recebendo o mesmo salário equivalente ao de professora das redes municipal e estadual de ensino, no valor de R$ 3.680. O restante é usado para apoiar as lutas dos trabalhadores e movimentos sociais no Brasil e no RN. “Não fui eleita para ter privilégios. Continuo vivendo como uma professora, não mudei de vida, não me adaptei aos privilégios dos políticos”, explica Amanda.

No ano passado Amanda Gurgel apresentou uma projeto para que todos os demais vereadores ganhassem o mesmo salário de uma professora. A proposta foi rechaçada por quase todos os vereadores, mas a batalha ainda continua.


  • Por isso repudiamos o recente aumento nos salários dos vereadores de Curitiba. Não se trata de repor a inflação. Se trata de reduzir drasticamente, acabar com os privilégios. Um parlamentar deve ganhar o que um trabalhador ganha!
  • Por isso defendemos o fim do senado!
  • Por isso defendemos o fim do pagamento da dívida pública para os banqueiros, para que este dinheiro seja utilizado em educação, saúde, segurança, transporte, moradia...

Para isso, precisamos de uma lei que garanta que os parlamentares utilizem o transporte público, seus familiares utilizem a saúde pública e seus filhos estudem nas escolas públicas, como os trabalhadores utilizam. Devem "sentir na própria pele" todo sofrimento de um trabalhador que pega ônibus lotado, que sofre na fila do SUS, ou que não encontra vagas na escolas públicas.

É preciso construir uma mobilização nacional para acabar com estes privilégios!

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